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Especialista fala da importância da atividade física para envelhecer de maneira saudável e em plena capacidade funcional

17 abr 2018|Postado em:Ciência e Tecnologia

Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company, dá dicas de saúde e bem-estar

Com as taxas de natalidade caindo no Brasil desde 1970 é natural que a população idosa cresça.  De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), o país terá 73 idosos para cada 100 crianças até 2050. Isso significa aproximadamente 215 milhões de habitantes idosos no Brasil.

Também em 2015, a expectativa de vida dos brasileiros deve superar os 81 anos, mesmo  nível apresentado por países com elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como a Islândia e o Japão. Atualmente, os brasileiros vivem entre 72 e 78 anos. De fato, a população brasileira está envelhecendo mais rápido do que se imagina. Enquanto a previsão é de que a quantidade de idosos duplique no mundo até 2050; no Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos triplicará, segundo o Relatório Mundial da Saúde e Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“A muito penso em escrever algo que pudesse ser realmente efetivo para os mais jovens e também para aqueles que, como eu, buscam envelhecer com saúde e em plena capacidade funcional. Minha experiência está apoiada em inúmeras modalidades desportivas, incluindo lutas, musculação e até mesmo o CrossFit. Embasado nessas experiências e, principalmente, na procura constante pelo conhecimento científico, compartilho dicas de como manter a forma e, acima de tudo, a plenitude e a disposição  para assumir qualquer desafio que a vida possa lançar”, relata Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company.

Abaixo, seguem recomendações importantes que permitirão melhorar ou preservar a condição física, e evitar as temidas lesões.

DICAS DO QUE DEVE SER REALIZADO:

  1. Priorize os exercícios INTEGRADOS: preferencialmente as atividades multiarticulares que envolvem simultaneamente os membros inferiores e superiores. São exercícios que requerem mais de uma articulação, potencializam a participação dos músculos e é um excelente estímulo para o aumento nos níveis de força e coordenação. A partir de gestos funcionais são realizados movimentos que reproduzem as atividades cotidianas como a marcha, a corrida e as ações de sentar e levantar.
  2. Foque nos exercícios de MOBILIDADE: sem dúvida alguma, uma das razões mais comuns para as pessoas se sentirem fora de forma é a incapacidade de realizar determinados movimentos durante as tarefas do cotidiano, especialmente pela redução da mobilidade articular. Infelizmente, os jovens não conseguem perceber o quão importante é ter qualidade física. “Temos que ter em mente que é muito mais fácil preservar a mobilidade do que ter que trabalhar para recuperá-la. Com o surgimento dos rolos de espuma (Foam Roller), em 5 a 10 minutos de trabalho de mobilidade por dia, você poderá acrescentar um bom condicionamento atlético por anos. Nesse contexto, cabe ressaltar que estudos cientificos permitem afirmar o benefício da prática da autoliberação miofascial para se preservar a mobilidade, sem comprometer o desempenho”, ressalta Netto.
  3. Variação: divirta-se e JOGUE: variedade é uma questão primordial no treinamento. Portanto não tenha medo de se divertir. Ao longo do tempo de treinamento, você perceberá que seus programas devem ser versáteis o suficiente para preservar o condicionamento físico e a capacidade funcional. Sempre que possível, pratique e experimente suas modalidades esportivas favoritas.
  4. Acrescente exercícios básicos do CORE: devemos dar ênfase a parte central do corpo, praticando o que denominamos core training, momento em que ocorrem as transferências dos membros superiores para os inferiores e vice-versa. Para que essa transferência ocorra, o trabalho deve ser focado em resistir à extensão e a rotação do tronco.
  5. Acrescente SALTOS na sua rotina de treinamento: a pliometria pode ser considerada um dos mais famosos treinamentos utilizados para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da potência muscular dos membros inferiores e da melhora do desempenho atlético. A pliometria também é conhecida como ciclo alongamento-encurtamento (CAE). Esse ciclo somente ocorre quando existe uma ação muscular excêntrica seguida imediatamente por uma explosiva ação muscular concêntrica. É de extrema importância preservar a nossa capacidade de utilizar efetivamente o CAE. “Isso não implica na necessidade de realizar saltos nas caixas, mas acrescentar pequenos saltos, incluindo essas sugestões no vídeo”, enfatiza Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company.
  6. Não fique CANSADO: para um envelhecimento saudável é fundamental à prática regular de treinamento cardiorrespiratório, como caminhada, corrida, natação, ciclismo, elíptico ou transport. Esse treinamento contribui para melhorar e preservar o consumo de oxigênio adequado e para manter os níveis de açúcar, de colesterol e de triglicerídeos normais. A escolha da atividade física deve seguir uma lógica como, por exemplo, pessoas obesas ou com lesão nos membros inferiores não podem correr. Já os lesionados na coluna não podem correr e nem praticar ciclismo. Nesse caso, as melhores opções são a natação, o transport ou o elíptico.
  7. Alongue-se sempre: os exercícios de alongamento somados aos exercícios de mobilidade permitem preservar a realização dos movimentos diários e evitam o encurtamento dos músculos, preservando a postura. Exercícios de alongamento são submáximos, de curta duração e não causam dor ou desconforto. São fáceis e podem ser realizados diariamente.
  8. Fique ÁGIL: o treinamento de agilidade é essencial para a autonomia funcional, considerando que o homem tenha que realizar tarefas rápidas e, por muitas vezes, inesperadas em seu dia a dia.
  9. Ser COORDENADO faz bem: a coordenação é um elemento importante para o ser humano. Os movimentos coordenados garantem um maior desempenho e um menor gasto calórico, além de auxiliar na execução de atividades mais complexas.
  10. Não posso cair e ter mais EQUILÍBRIO: em idosos a perda do equilíbrio potencializa quedas e fraturas. Por isso, o treinamento de equilíbrio não deve ser negligenciado e sim realizado por todos, inclusive por atletas. A perda do equilíbrio causa distúrbios osteomioarticulares que, por sua vez, ocasionam maiores cargas nas articulações e nos ossos.

DICAS DO QUE NÃO SE DEVE FAZER:

  1. Entenda que lesão não é DOR. Existe lesão sem DOR, ou seja, você pode estar machucado por realizar movimentos inadequados sem saber. Por isso:
  2. Nunca realize em treinamento, no trabalho ou em casa o movimento de pegar e descarregar objetos no chão com flexão tronco lombar, flexão e rotação com os joelhos em extensão;
  3. Iniciantes: devem começar com pouca sobrecarga e poucas repetições;
  4. Não faça o alongamento sentado com um dos membros inferiores à frente e nem com o joelho em extensão ou abdução com joelho flexionado. Esse movimento cria sobrecarga no joelho flexionado;
  5. Deitado dorsalmente, não faça rolamento para traz jogando todo o peso do corpo sobre a cervical;
  6. Não faça ponte com apoio sobre a cabeça;
  7. Evite a circundução da cervical. Rodar a cabeça não é uma boa ideia;
  8. Não se exercite com dor, caso ela não passe durante o pós-aquecimento;
  9. Evite excesso de treinamentos;
  10. Fale com o seu médico para saber se existe a necessidade de fazer densitometria óssea. A osteoporose é um problema de saúde pública principalmente para mulheres na menopausa, sedentárias e, também, para usuários de medicamentos com cortisona;
  11. Caminhadas devem ser moderadas e realizadas com tênis apropriado;
  12. Não passe muito tempo sentando – está posição aumenta a compressão nos discos lombares;
  13. Pense na sua postura durante todo o dia e faça exercícios posturais diariamente;
  14. Não deixe de se hidratar e beber bastante água;
  15. Mantenha uma boa alimentação e não acredite em dietas milagrosas.

Colaboração de Fernanda Sene

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