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Política Estadual de Convivência Com o Semiárido, fortalecimento da agricultura familiar e debate de gênero são prioridades da ASA-PE em 2014

4 fev 2014|Postado em:Sertão

Em entrevista ao Programa Fala Mulher da Casa da Mulher do Nordeste, a Coordenadora Executiva da ASA-PE, Neilda Pereira, falou das prioridades para 2014. Segundo ela, serão priorizados o Plano Estadual de Convivência Com o Semiárido, o fortalecimento da agricultura familiar, o retorno do debate de gênero, o marco regulatório das ONGs e o debate eleitoral.

 Neilda Pereira

Quais são as principais prioridades da ASA-PE para este ano de 2014?

 

Neilda Pereira - 2014 é um ano que precisamos priorizar algumas questões e aqui em Pernambuco, por exemplo, a política estadual de convivência com o semiárido.  As conferências tiveram um papel importante, mas não significa que o processo está dado. Precisamos de orçamentos para que essa politica se efetive de fato nos municípios, porque é lá que os agricultores e as agricultoras estão e precisam dessas ações para que no período da estiagem possam ter condições de viver na região. Quanto ao debate do marco regulatório das ONGs vamos priorizar porque é inadmissível enquanto organizações não governamentais que tem um histórico, uma trajetória, a gente ainda ter um conjunto de dificuldades para se ter parcerias, seja com os municípios, estado ou no âmbito federal. Vamos também priorizar o debate eleitoral, temos um conjunto de proposições e nesse sentido precisamos dialogar com os candidatos e candidatas, apresentar que tipo de projeto a gente vem construindo e acreditamos para o semiárido.  

 

Qual a avaliação das parcerias firmadas em 2013 e o que a ASA espera construir em 2014, principalmente junto ao Governo do Estado?

 

Neilda Pereira - A nossa parceria com estado no campo do acesso à água para consumo humano e produção está dada. Em 2013 celebramos um contrato em torno de 35 mil tecnologias de primeira e segunda água, nesse início de ano estamos negociando em torno de 45 mil tecnologias. Isso mostra que no campo do acesso a água a gente tem avançado, agora esperamos avançar em outros debates, como na assessoria técnica a partir da experiência das organizações, como é que a gente tem um programa de assessoria que valorize as experiências dos agricultores e agricultoras, principalmente os que estão sendo contemplados/as com as tecnologias sociais. Queremos fazer também o debate da agroecologia no estado, como ter de fato uma politica pública que amplie as experiências agroecológicas. Então, eu penso que estamos começando bem e com vontade de dizer que queremos construir outras propostas, que contribuam para que esse conjunto de ações de convivência chegue até as pessoas. A cisterna é importante, ela cumpre o seu papel, mas viver no Semiárido significa olhar para a educação, saúde, assistência técnica, lazer e fortalecimento da agricultura familiar.  Vamos priorizar esse conjunto e dialogar com o estado nessa perspectiva.

 

Quanto ao debate de gênero, quais as perspectivas para que retorne para as discussões da ASA?

 

Neilda Pereira – Queremos resgatar o grupo de trabalho de gênero e priorizar que no estado a gente faça essa discussão, a partir disso vamos dialogar com as políticas existentes. Temos a Comissão de Mulheres Trabalhadoras Rurais que tem feito um trabalho importante e a gente precisa olhar para essas dinâmicas, temos experiências das organizações que compõem a Asa como a Casa da Mulher do Nordeste e o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural, além de outras organizações que tem feito não só esse debate, mas a partir dessa discussão desenvolvido as suas ações. Se a gente olhar para a ação das cisternas, as mulheres não tem só o papel da gestão da água, elas são também construtoras, facilitadoras, animadoras, participam das equipes técnicas, estão presentes em todas as dinâmicas da ASA e não dá para fazer esse debate transversal, precisamos considerar as experiências que já temos na rede, mas também discutir proposições de políticas públicas para as mulheres.

 

Qual a importância da ASA fomentar o debate acerca de políticas para a agroecologia, considerando que 2014 é o ano da agricultura familiar?

 

Neilda Pereira - Tem um debate histórico que a agricultura familiar sempre foi tratada como atividade de subsistência, mas ela representa muito mais que isso, hoje é fonte de renda para as pessoas no Semiárido, agora se não existem investimentos e tecnologias apropriadas para o seu fortalecimento ela não se desenvolve.  Essa oportunidade que a ONU trás pra gente refletir internacionalmente vai mostrar que precisamos discutir com o estado brasileiro que a agricultura familiar precisa de pesquisas que estejam a serviço do seu desenvolvimento, de tecnologias e, principalmente, de investimentos. Não dá para ser tratada com políticas emergenciais, provisórias, mas políticas efetivas.  Então o debate que queremos é mostrar que a agricultura familiar não é só para a subsistência da família, mas uma fonte de economia local, e é isso que a ASA irá priorizar a partir de suas ações.

 

Estamos vivenciando um ano que promete ser movimentado por causa das eleições e do plebiscito, a ASA irá se posicionar politicamente?

 

Neilda Pereira - Enquanto ASA estamos focando na proposição de politicas públicas de convivência com o Semiárido e fortalecimento da agricultura familiar. Podemos sim tomar um posicionamento, mas no momento essa não é a nossa preocupação. Nossa preocupação é ter de fato proposições para apresentar aos candidatos e candidatas que projeto de Semiárido é esse que a ASA vem construindo. Se no futuro a gente vier a tomar um posicionamento, vamos sempre olhar para nossa ação em rede e jamais prejudicar o nosso trabalho. Se essa decisão contribui para o projeto político que estamos construindo, ótimo, caso contrário vamos dialogar com quer que seja nessa perspectiva de pautar o Semiárido como uma região de homens e mulheres que querem viver com dignidade.

 

Quanto ao plebiscito e a Reforma Política, a ASA irá envolver o Semiárido nessas discussões?

 

Neilda Pereira - Sim, a gente já tem participado de conversas com os movimentos sociais, vamos fazer esse debate nos estados e a nível nacional, uma vez que a ASA é o conjunto das organizações e historicamente temos pautado a construção de uma sociedade que olhe principalmente para as desigualdades, que faça com que as políticas cheguem até as pessoas.  Sem em 500 anos não conseguimos reverter situações de fome, exclusão social e desemprego, esse plebiscito vai trazer uma estrutura de estado para que as políticas cheguem e sendo para que as pessoas vivam com dignidade no Semiárido, a ASA abraça essa pauta e se empenha para que isso aconteça. 

Por Juliana Lima – Assessoria de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

Juliana Lima
Assessoria de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste

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